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ABREA -
Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto |
AMIANTO
Saúde Pública
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Heródoto há mais de dois mil anos descreveu uma
alta mortalidade entre os escravos que produziam mortalhas de amianto.
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Em 1907 tivemos a primeira descrição médica da
asbestose.
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Posteriormente foram relatados o câncer de pulmão,
mesotelioma de pleura e peritônio e outros tipos de neoplasias
associadas ao amianto.
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O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores
de amianto do mundo, que é utilizado em quase 3.000 produtos
industriais, entre eles: telhas, caixas d'água, pastilhas e lonas para
freios etc.
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Em estudo americano e canadense com 18.000 expostos
houve registro de 400 casos de câncer de pulmão, 457 casos de
mesotelioma de pleura e peritônio e 106 casos de asbestose. A legislação
americana é bastante restritiva ao uso do amianto.
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Itália - em Casale Monferrato onde por 50 anos
existiu a fábrica da Eternit - há mais de 1.200 vítimas de amianto. Já
morreram 117 por câncer de pulmão, 70 por mesotelioma de pleura e 80
por asbestose. O amianto foi proibido em 1.993.
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Na Inglaterra estudos mostram o contínuo crescimento
de óbitos por mesotelioma. Existe previsão de 2.700 a 3.300 mortes por
volta dos anos 2.020.
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Na França os pesquisadores concluíram que sob todas
as formas e tipos o amianto é cancerígeno e que só este ano vão
morrer 1.950 vítimas desta matéria-prima, sendo 750 de mesotelioma de
pleura e 1.200 de câncer no pulmão. Este trabalho desencadeou a lei
que proíbe a partir de 1/1/97 a importação, fabricação e venda de
produtos que contenham o amianto em território francês.
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A decisão de banir o amianto já foi empreendida por
outros países como Alemanha, Áustria,
Austrália, Suécia, Suíça, Dinamarca, Noruega, Espanha, Finlândia,
Holanda etc.
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No Brasil não há estatísticas de doenças
relacionadas ao amianto, mas trabalhos desenvolvidos pela DRTE/SP
comprovaram a gravidade da exposição e descreveram os mecanismos
sociais da invisibilidade destas doenças no país. Até
Janeiro/2002 foram encaminhados pela ABREA 960 trabalhadores da
ex-Eternit de Osasco para exames médicos. Têm-se:
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101 casos de asbestose
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190 placas pleurais
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222 de disfunções respiratórias
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4 casos de morte por mesotelioma
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8 mortes por asbestose
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7 mortes por câncer de pulmão
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2 cânceres de pulmão ainda vivos
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1 morte por câncer de laringe
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24 outras mortes sem reconhecimento oficial pelo
amianto(8 gastrointestinais, 6 de pulmão e 10 por outras afecções
pulmonares)
Obs.: A maior parte dos trabalhadores têm mais de uma
patologia relacionada ao aparelho respiratório.
Somam-se a isto os 14 casos de asbestose
da ex-Thermoid (indústria de freios) em São Paulo, mais de 50 casos
de mesotelioma (pleura e peritoneal), embora só três deles tenham seu nexo
relacionado ao amianto, e outros 56 casos de asbestose e 2 de câncer de pulmão
publicados na literatura médica deste século no Brasil. São vários os
fatores que levam à
invisibilidade
social das doenças provocadas pelo uso do amianto no Brasil e por conta
disto só agora começa-se a ter a verdadeira dimensão do problema.
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